Davi é uma criança, saudável, esperta, super ativa, alegre mas também com suas manhas e birras, como qualquer criança da sua idade. Está na fase de descobertas e isso inclui desafiar e "testar" a autoridade e a paciência dos pais.
Por exemplo, tem noção de que não pode pegar um determinado objeto, já foi avisado em outro momento que o tal pode machucar sua mão ou cair no seu pé, já aprendeu a lição, entendeu o recado, mais para desafiar, olha para nós com um certo sorrisinho malandro que se traduz em: "Olha aqui o que estou pegando, você vai deixar?" e quando o alertamos dizendo que já ensinamos que isso não pode pegar, ele pega o objeto e sai á disparada.
Outros pontos são os gritos, tapas, beliscões e mordidas, sei que tudo isso faz parte do seu crescimento da sua fase, é a única forma que ele descobriu para demonstrar suas raivas e frustrações, já que ainda não domina a fala, mais procuro corrigir na mesma hora.
Não gosto muito da idéia de ter que revidar um tapa, um beliscão ou uma mordida (claro que de leve) só para ele saber que aquilo dói e machuca, embora compreendo que esse meio seria para mostrar que se dói nele, dói da mesma forma em outra pessoa, portanto não é legal fazer isso (método esse sugerido por um pediatra).
Nas minhas correções procuro ser enérgica, mostrando claramente que não é certo determinada atitude, mais durante as correções ele fecha os olhos, finge não estar ouvindo, faz gracinhas e isso se resume que ele não está absorvendo a correção.
Semana passada quando fui repreendê-lo, Davi me beliscou, nunca havia feito isso antes, agachei olhando nos olhos e o repreendi dizendo que não podia beliscar a mamãe - essa repreensão me gerou um tapa e então apelei para o famoso método do "cantinho da disciplina".
Expliquei que ele ficaria ali porque beliscou e deu um tapa na mamãe e que aquilo não podia fazer.
Davi gritou, chorou, sentava no chão ao invés da cadeira, levantava, saia do lugar fazendo com que eu o colocasse alí uma dezenas de vezes seguidas, quando não, pedia seu paninho ou a mamadeira em cima da mesa, pedidos que logicamente não foram atendidos, mais confesso que seus chamados chorosos matavam meu coração.
Ao completar os dois eternos minutos, fui até ele e perguntei estrategicamente o porque a mamãe tinha colocado ele ali, o que ele tinha feito com a mamãe.
Entre choros relutava em responder, um orgulhosinho e o não dar o braço á torcer eram nítidos e quando eu dizia para pedir desculpas, sua resposta era outro tapa ou beliscão.
Essa mesma cena se repetiram quatro ou cinco vezes, e minha frustração só aumentava.
O dois já exaustos, ele com sono (o que fui ver só mais tarde que contribuiu e muito com o não sucesso da correção), Davi abandona a cadeirinha choramingando, e eu já sem saber mais se valia a pena continuar, deixo ele ir.
E como havia escrito logo no começo dessa postagem, fiquei ali, de joelhos no chão com olhos marejados e com a cruel sensação de fracasso, me sentindo mal por ter causado tanto stress e com medo dele me achar a pessoa mais cruel desse planeta - pois nas minhas tentativas frustradas, não consegui chegar na parte em que os dois se abraçam e a mãe diz: Filho, eu te amo, deixando bem claro que tudo aquilo foi só mais um gesto de amor.

